A viagem nacional HODO: Unique Journeys levou assim um grupo de estudantes a desenharem uma instalação que tem como intenção o "fazer-parar", contrariando a progressiva aceleração contemporânea. The resting assembly, propõe aos visitantes a prática de uma atividade inventada para as necessidades do nosso tempo, um lugar para a "descansatividade". Um espaço circular, simultaneamente aberto e retirado, para uma assembleia de pessoas que, em contemplação (in)ativa, podem reivindicar o direito à paragem, ativando uma vontade de pausa no espaço e talvez no tempo.
Identificando como urgência local e global o "raro" ato de abrandar ou parar ativa e conscientemente, e evocando a reconhecida natureza empática dos portugueses nos gestos de bem-receber, para a representação oficial portuguesa na seção STUDENTS em Praga, foi concebido um lugar que promove o encontro de "ativistas-parantes" – uma rede de pessoas presentes e acordadas, ligadas a si, entre si e ao (mesmo) espaço onde se encontram.
Este é um espaço de recolhimento de corpos (in)ativos, lugar para um tempo profundo, que requer por isso ações lentas e desenhos vagarosos. Um receptáculo para corpos suspensos, levitantes, que está em permanente construção, (e)laboração, e onde se cruzam "fazeres", decisões, jornadas – caminhos urdidos pelo verbo tecer. Uma instalação onde a trama que faz o tecido se faz teia e que, ao longo dos dias, se faz rede, cama, casulo, malha, trama.
Através de uma cenografia performativa lenta, a obra desdobra-se no espaço e no tempo, expande-se e amplia-se, transfigura-se, permite-se re-configurações imprevisíveis por via da materialidade do espaço que é acionada pela presença dos seus ocupantes, e pela soma dos dias da PQ. Propomos assim uma prática de encontros e de ocupações capazes de performar mundos novos e transformar, ativar, debater, criticar e propor temporalidades (mais) profundas, pelo ato complexo, tão difícil quanto potencialmente produtivo, de parar.
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